Análise Oryx Capital - Perspectivas econômicas com a posse de Trump nos EUA

By Luiz Arthur Fioreze, economista e diretor de Gestão de Fundos da Oryx Capital, gestora especializada em investimentos internacionais.

Divulgação Luiz Arthur Fioreze, diretor de Gestão de Fundos da Oryx Capital Divulgação Luiz Arthur Fioreze, diretor de Gestão de Fundos da Oryx Capital

"A posse de Donald Trump como presidente marca o início de um novo ciclo repleto de expectativas e incertezas para os mercados globais. Recapitulando os eventos recentes, o lançamento de sua criptomoeda gerou grande repercussão ao atingir uma valorização superior a 600% em menos de 24 horas, evidenciando a força de sua base de apoio e o impacto de sua imagem no mercado digital.   Outro tema que promete movimentar sua administração é a regulação das plataformas de tecnologia. O caso do TikTok, que foi forçado a vender suas operações nos Estados Unidos sob a gestão Biden, volta ao centro das discussões. Trump sugeriu, em entrevista recente, que o mais razoável seria conceder um prazo de 90 dias para revisar a situação e evitar um banimento imediato, sinalizando uma abordagem estratégica e pragmática.   A cerimônia de posse de Trump contará com figuras icônicas do setor de tecnologia e empreendedorismo, como Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg. Este último estará sob os holofotes, dada a relevância das políticas de privacidade e tratamento de informações no Facebook (Meta), um tema fundamental para os reguladores americanos e internacionais.   No campo geopolítico, Trump trouxe à tona questões controversas, sugerindo a anexação do Canadá e da Groenlândia, países que, segundo ele, têm um peso desproporcional no comércio sustentado pelos EUA. A renúncia de Justin Trudeau, ocorrida este mês, adicionou incerteza ao cenário político canadense. Sua saída foi em parte motivada pela tentativa de preservar a coesão de sua ala liberal diante das crescentes tensões comerciais com os Estados Unidos, antecipando possíveis desafios tarifários e medidas protecionistas agora reafirmadas por Trump.   Uma mudança significativa também está relacionada ao fluxo migratório com o México. Trump sinalizou medidas que podem restringir ainda mais a imigração mexicana para os EUA. Esse movimento traz desafios para a economia americana, que se beneficia da mão-de-obra mexicana, especialmente em setores como construção civil e agricultura. A restrição da força de trabalho pode pressionar os custos salariais e reduzir a competitividade, gerando impactos negativos para o crescimento econômico e o mercado imobiliário.   No campo fiscal, Trump pode agora propor novamente o pacote de corte de gastos que havia sido rejeitado anteriormente. Com maioria no Congresso e o apoio típico dado a projetos de um novo governo, a aprovação tem maior probabilidade de sucesso. Isso poderia aliviar a pressão sobre as contas públicas e oferecer espaço para novos cortes de juros, dependendo do ritmo de ajuste fiscal e de equilíbrio orçamentário.   A balança comercial deficitária dos EUA — uma prioridade clara para Trump — será novamente alvo de esforços de reversão. Se o déficit comercial se transformar em superávit, os impactos poderão alterar o fluxo global de capitais, com possível aumento nas taxas dos bonds americanos, devido ao excesso de liquidez e maior demanda por títulos do Tesouro.   O próximo ano será decisivo para avaliar os desdobramentos dessas políticas e seus efeitos sobre a economia global."

 

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Michelle Marie