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Robério Braga retrata as tranças africanas em sua nova exposição

publicado Quinta, 09 de Agosto de 2018, 11:26 h

Hoje o mundo das artes estará reunido para a exposiçao do mais novo trabalho do fotógrafo Robério Braga: o trançado característico dos povos africanos, incorporado especialmente pelos seus descendentes baianos. Intitulada “A Missa”, a mostra será aberta nesta quinta-feira, dia 9 de agosto, às 11 horas, como um dos destaques da Feira Literária do Pelô – Flipelô. A exposição conta com curadoria de Diógenes Moura e permanecerá aberta ao publico durante todo o mês de agosto no Solar Ferrão, Centro Histórico de Salvador. A entrada é franca.

Roberio  (Foto: Divulgação)

“O projeto é uma viagem visual pelas cabeças penteadas na vida cotidiana e em períodos festivos. É uma busca estética e étnica dos significados dos penteados que identificam as matrizes africanas”, afirma o fotógrafo, que ambientou toda a sua produção nas igrejas barrocas do Pelourinho, daí o título “ A Missa”.

Tranças Afrodescendentes

Baiano de Salvador, Robério Braga iniciou sua carreira como fotógrafo em 1993, participando da Bienal do Recôncavo (São Felix) e da Mostra Nacional de Fotografia na UFBA. Em São Paulo atuou como diretor de fotografia em cinema e publicidade, tornando-se também diretor de cena. Em 2003, fundou a Produtora Maria Bonita Filmes, direcionada para o mercado publicitário e que também produziu para a televisão, atendendo a clientes como Canal Futura, Sony do Brasil, TV Cultura, Multishow, entre outros.

Tranças Afrodescendentes

A exposição é integrada por 13 imagens em preto e branco, a maioria em tamanhos entre 1m x 1,15m e 2mx 3m. Nas fotos, todos os retratados aparecem de costas, quase sem identidade. “Não falo de José, ou de Maria, mas sim de um povo, uma cultura”, diz Robério Braga, que nega, em seu trabalho, qualquer relação com o exotismo, mas, sim, na interpretação honesta da realidade investigada. “A Missa representa muito da história do povo brasileiro, baiano. A igreja, o negro que a construiu como escravo e agora é protagonista com o barroco servindo-lhe de adorno. Isso grita alto nas igrejas do Pelourinho, a cada missa, a cada hino, a cada data festiva”.

Tranças Afrodescendentes

Luz impactante

Robério Braga diz enxergar a fotografia como pintura (talvez pela herança artística de meu avô, Mendonça Filho, pintor expressionista baiano) e afirma que a luz é um elemento muito significativo nos seus trabalhos. “Persigo uma imagem que seja impactante de vários pontos de vista. Muitas vezes tive que vencer o sol com superiluminação artificial, mas de onde se vê têm resultados estéticos intimamente ligados”.

Tranças Afrodescendentes

No entender do fotógrafo, a cabeça tem um destaque especial porque reúne significados míticos e sociais, de gêneros: hierárquico e sagrado. Isso formaliza esteticamente os princípios de pertencimento e de identidade, a comunicação se dá por inúmeros materiais que estão presentes no corpo para particularizar a pessoa. “As artes corporais identificam a pessoa e o seu momento de vida em um grupo daí pode se destacar os penteados que representam papéis sociais e distinguem o indivíduo na construção da alteridade. Dessa maneira, os resultados estéticos estão unidos aos mais profundos significados da cultura e da ancestralidade”.

Tranças Afrodescendentes

Diógenes Moura - Curador da mostra, Diógenes Moura lembra que o trabalho de Robério Braga ultrapassa o território da fotografia documental porque nega qualquer relação com o exotismo, investindo, ao invés disso, na interpretação honesta da realidade investigada. “É uma celebração entre tempo e imagem, tempo e permanência, tempo e perguntas ainda sem respostas”, diz. Escritor, curador de fotografia e editor independente, Moura realizou no ano de 2013, entre outras, a curadoria das mostras Busca-me, de Boris Kossoy, na Galeria Berenice Arvani; A Construção de um Olhar – Fotografia Brasileira no Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, no Centro León Jimenes, na República Dominicana e Butterflies and Zebras, de Mario Cravo Neto (com livro homônimo), na Estação Pinacoteca, em São Paulo. Publicou o livro São Paulo de Todas as Sombras, edição que reúne fotografias (Lucia Guanaes/ Marc Dumas) e contos/polaróides urbanas de sua autoria. Entre 1998 e maio de 2013 foi Curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo, onde realizou exposições, reflexões sobre o pensamento fotográfico e possibilitou o reconhecimento do acervo do museu como um dos mais importantes da América Latina, hoje com cerca de 700 imagens de fotógrafos brasileiros.

Tranças Afrodescendentes

Foi eleito o Melhor Curador de Fotografia do Brasil pelo Sixpix/Fotosite, em 2009. No ano seguinte recebeu o prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte de melhor livro de contos/crônicas com Ficção Interrompida – Uma Caixa de Curtas (Ateliê Editorial). Com o mesmo título, foi finalista do Premio Jabuti de Literatura 2011. Em 2012, foi curador de mostras importantes como Andy Warhol – Superfície (Museu da Imagem e do Som São Paulo), Interior Profundo – Mestre Júlio Santos (Pinacoteca do Estado de São Paulo) e Dos Filhos Desse Solo? exposição que representou o Brasil no PHOTOIMAGEM 2012 em Santo Domingo, RD, e que recebeu o grande Prêmio da Crítica pela Associacion Dominicana de Críticos de Arte, INC/2013.